domingo, 10 de junho de 2012

A filosofia perene - breve intróito

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Durante minha vida sempre fui um ávido buscador de todas as coisas denominadas espirituais (apesar de que, atualmente, devido ao que sei, fico até com certo receio de utilizar esta palavra , razão pela qual o farei o mínimo possível): não sei se é porque diante de todas as coisas que presenciei e presencio, ou se é um traço de minha personalidade, mas o fato é que este mundo que vemos me é realmente algo muito enfadonho. Canso de observar sempre as mesmas coisas, ver os mesmos problemas e não refletir a respeito de suas origens e até de outras possibilidades maiores, exteriores. Uma das tradições que estudei com relação a este aspecto, ainda que pouco em relação ao seu imenso valor, é a denominada filosofia perene. Ela é um amálgama de várias tradições, considerando as mesmas em seu aspecto mais interior, essencial. Na realidade, é como se retirássemos das outras religiões, todo o seu aspecto exterior, tudo aquilo que não é essencial, e deixássemos apenas o principal. Se considerarmos apenas este ponto, todas as religiões, ou a maioria delas, fala das mesmas coisas, e majoritariamente, da busca do homem pelo sentido da existência. Para mim, se há algo interessante a se buscar nas religiões é o seu aspecto mais essencial, e não quaisquer outras frivolidades. A essencialidade é importante, e ainda, e principalmente, a busca interior e principalmente solitária. Na minha visão, muito mais vale alguém que procura algo, e que se burila incessantemente, melhorando-se, trabalhando o seu espírito, do que alguém que performa rituais sem entendê-los, apenas porque faz o que todos os demais fazem ou que alguém mandou fazer. Talvez por isso nunca gostei muito de aprender religiosidade em grupos, pois grupos abrem espaços para políticas, discussões, egolatrias: coisas que são contraproducentes ao verdadeiro caminho religioso, em sentido lato. Desta feita, a filosofia perene é justamente isto, aquilo que se encontra essencial, dentro das religiões. Podemos dar um exemplo com o Cristianismo. Existem várias escolas e grupos dentro do Cristianismo em geral. Uns advogam uma determinada coisa, outros grupos advogam outras. Os adventistas, por exemplo, advogam guardar o sábado. O domingo já é escolha de outras doutrinas, e assim por diante. De toda forma que, em havendo dissensão, haverá política, brigas. E será que isso é importante assim? Decidir sobre guardar ou sacralizar um determinado dia é importante desta forma? Creio que não. Assim, vejo que na realidade, as formas exteriores diferem muito, apesar de que muito do que é essencial permanece. Aliás, muito do que é essencial no pensamento religioso permanece através dos tempos, porque as pessoas são as mesmas e tem os mesmos anseios, curiosidades e dúvidas.  Uma das frases neste sentido que mais acho interessante é a de Dionísio, o Aeropagita, que sendo convertido para o cristianismo, enuncia o seguinte:
"Os simples, absolutos e imutáveis mistérios da verdade divina estão escondidos na super-luminosa escuridão do silêncio revelado no segredo. Porque esta escuridão, enquanto é extremamente obscura, é claramente radiante, e apesar de além do toque e do olhar, enche nossas mente cega com esplendores de beleza transcendente."
Ele fala além de uma tradição religiosa específica. Ele transcende os rótulos. E perceba o leitor, ainda fala de escuridão, palavra que muitos dos cristãos politicamente corretos da atualidade dispensariam e abnegariam no primeiro momento que tivessem a chance. Dionísio busca aqui ultrapassar os pensamentos da mente classificadora e limitada para tentar atingir o supra-sensível. Para mim, este é o aspecto de religião que se merece guardar, que se merece estudar. Não apenas um mero apanhado de rituais, de convenções, mas aquilo que está além. 

Desta forma, este é meu primeiro post a respeito deste tema, que espero ainda debater em momentos posteriores. 

Saudações.